A tabela de honorários de psicologia é a Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos, publicada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) em conjunto com a Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), com elaboração técnica do DIEESE. Ela traz, para cada tipo de serviço, um limite inferior, uma média e um limite superior em reais. É um documento de referência: não obriga ninguém a cobrar aqueles valores e não define piso nem teto.
Esta referência é revista periodicamente, então verifique a versão vigente na página oficial da tabela de honorários no site do CFP antes de usar qualquer número deste artigo numa conversa com cliente.
Eu escrevo isto para a psicóloga que atende há anos, tem agenda e nome na região, e mesmo assim sente que o seu valor ficou parado. A tabela do CFP ajuda nessa hora, desde que você saiba o que ela é e o que ela não é.
O que é a tabela de honorários da psicologia
A tabela nasceu em 2001 e teve atualizações ao longo dos anos. Entre setembro e novembro de 2014, o CFP e a Fenapsi fizeram uma consulta pública com conselhos regionais, sindicatos, entidades científicas e profissionais para revisar os itens que deveriam constar nela, como registra a notícia do CFP sobre a revisão da tabela. Desde então, as atualizações têm corrigido os valores pela inflação medida pelo INPC, do IBGE, com cálculo feito pelo DIEESE, como explica o comunicado do CFP sobre a atualização pelo INPC.
O próprio Conselho descreve o caráter do documento. Nas palavras do CFP, a tabela “não estabelece piso nem teto de preços para os honorários cobrados”, e cabe a cada profissional definir o valor em comum acordo com quem contrata o serviço, seja pessoa física ou jurídica.
Muita gente usa a tabela como se fosse o valor certo, o permitido ou o máximo. Nenhuma dessas leituras está no documento.
A versão vigente e o que ela diz
A versão disponível no site do CFP quando este artigo foi escrito, em outubro de 2026, é a de valores atualizados pelo INPC até junho de 2025, com vigência a partir de 1º de julho de 2025. O documento informa que os valores da tabela anterior foram corrigidos pela variação acumulada do INPC de março de 2016 a junho de 2025. Você baixa o arquivo completo no PDF oficial da Tabela de Referência Nacional de Honorários (CFP e Fenapsi, elaboração DIEESE). Se já houver versão mais nova quando você ler isto, vale a mais nova.
Alguns itens que interessam diretamente a quem está na clínica e quer escalar, conforme o PDF oficial:
| Serviço | Limite inferior (R$) | Média (R$) | Limite superior (R$) |
|---|---|---|---|
| Psicoterapia individual | 225,58 | 326,61 | 386,72 |
| Psicoterapia de casal | 257,81 | 351,78 | 515,65 |
| Psicoterapia familiar | 257,81 | 411,86 | 515,65 |
| Psicoterapia em grupo | 186,93 | 299,71 | 386,72 |
| Consulta psicológica | 225,58 | 337,17 | 386,72 |
| Avaliação psicológica | 257,81 | 322,28 | 422,15 |
| Supervisão de atividades psicológicas | 270,73 | 422,98 | 515,65 |
Fonte: Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos, CFP e Fenapsi, elaboração DIEESE, vigência a partir de 1º de julho de 2025. Verifique a versão vigente no site do CFP antes de citar.
Como ler as três colunas sem se enganar
Cada linha tem três números, e cada um conta uma coisa diferente.
Limite inferior. É a ponta de baixo da faixa de referência para aquele serviço. Não é um piso legal. Mas, se o seu valor está abaixo dele, é um sinal que merece atenção, porque você está cobrando menos do que a própria referência nacional da profissão aponta como o começo da faixa.
Média. É o meio da faixa. Serve para você se localizar, não para se encaixar. Uma psicóloga com anos de experiência, público definido e posicionamento claro não tem motivo para usar a média como meta.
Limite superior. É a ponta de cima da faixa de referência. E aqui está o erro mais caro que eu vejo: tratar esse número como teto. O CFP diz com todas as letras que a tabela não estabelece teto. Cobrar acima do limite superior não é infração, é decisão de posicionamento.
Um detalhe que pouca gente percebe: as atualizações recentes corrigem os valores anteriores pela inflação. Não são uma pesquisa nova sobre quanto as psicólogas cobram hoje, nem um retrato do mercado do seu nicho.
Por que a psicóloga experiente não deveria precificar só pela tabela
A tabela é igual para todo mundo. Ela não sabe quem é o seu público, qual problema você resolve, qual é o seu custo fixo ou em que cidade você está. A linha “psicoterapia individual” vale tanto para quem se formou no ano passado quanto para quem tem uma especialidade construída ao longo de anos.
Quando a psicóloga experiente precifica só pela tabela, ela se coloca no lugar do generalista, e generalista sempre compete por preço. Quem escolhe um público específico ganha o direito de escolher a remuneração.
Tem outro sinal que a tabela não mostra: se a sua agenda está lotada e você não sai do lugar, a sua hora provavelmente está barata. Você não precisa de um mundo de gente na agenda. Precisa de algumas pessoas pagando bem pelo que você entrega.
E existe a pergunta que a tabela não responde de jeito nenhum: quanto custa a sua hora de verdade. Esse número sai da sua conta, não de uma faixa nacional. Eu detalho o cálculo em quanto custa de verdade a sua hora trabalhada como psicóloga, e é dele que nasce qualquer valor que faça sentido para o seu consultório.
Piso de conversa, não teto: como usar a tabela a seu favor
Dito tudo isso, a tabela é útil. Ela só precisa estar no lugar certo da sua decisão. Eu proponho que você a use como piso de conversa: o ponto a partir do qual a discussão sobre preço começa, nunca o ponto onde ela termina.
| Situação | O que a tabela indica | Como usar |
|---|---|---|
| Seu valor está abaixo do limite inferior | Você cobra menos que o começo da faixa nacional de referência | Revisar a hora com urgência e planejar o reajuste da agenda inteira |
| Seu valor está entre o limite inferior e a média | Você está na metade de baixo da referência | Conferir se o seu público e a sua especialidade justificam estar ali; geralmente não justificam |
| Seu valor está entre a média e o limite superior | Você está na metade de cima da referência | Confirmar se o valor cobre a sua hora real e os seus custos, não só se parece razoável |
| Seu valor está acima do limite superior | A tabela não tem teto, então não há nada de irregular | Sustentar com posicionamento claro e comunicação de valor antes do preço |
| Contrato com empresa | A tabela traz itens de consultoria e assessoria, mas não conhece o seu escopo | Partir da sua hora de clínica, nunca do limite inferior da tabela |
Na prática, isso significa três movimentos.
Use o limite inferior como alarme. Se algum valor da sua agenda está abaixo dele, isso não é generosidade, é sinal de tabela defasada. Atendimento com valor social existe e tem lugar, mas como cota explícita e definida por você, não como preço que foi ficando baixo por falta de revisão.
Use a média como espelho, não como alvo. Ela mostra onde estaria um profissional qualquer. A pergunta seguinte é sempre: você é um profissional qualquer para o público que atende? Se você tem especialidade, se resolve um problema que pouca gente resolve bem, a média não descreve você.
Use a existência da tabela para sustentar a conversa. Quando um paciente estranha o seu valor, você pode explicar que existe uma referência nacional da profissão e que ela não tem teto. Isso tira a conversa do campo do “você está cobrando caro” e coloca no campo do que o seu trabalho entrega. Quase sempre, a objeção de preço é sinal de que o valor não foi transmitido antes do preço.
Para empresas, a lógica é outra e mais simples: a sua hora para pessoa jurídica parte da sua hora de clínica acrescida de pelo menos 30%, conta que eu explico em quanto custa sua hora trabalhada.
A tabela e os seus três valores
No método, toda psicóloga precisa ter três valores definidos para a psicoterapia: o valor da hora ideal, avulso, que paga você, paga os custos e ainda sobra para investir no negócio; o valor do pagamento mensal antecipado, um pouco menor, como vantagem pelo compromisso, sem discrepância absurda em relação ao avulso; e o valor mínimo viável, que remunera e paga os custos sem lucro, e que é uma referência interna, nunca aberta ao cliente.
A tabela do CFP conversa com esses três valores de um jeito específico. O seu valor mínimo viável nunca deveria ficar abaixo do limite inferior da referência nacional. Se ficar, o problema não é a tabela, é a estrutura de custos ou a carga horária que você está aceitando. Já a sua hora ideal não tem relação obrigatória com a tabela: ela vem do cálculo da sua hora, da análise de quem atende o mesmo público com a mesma experiência e do valor mais alto que alguém da sua agenda já paga hoje.
E aqui vale uma regra que eu repito muito: na hora de se comparar, olhe para quem cobra mais na sua região e no seu nicho, não para quem cobra menos. A tabela nacional é uma referência ampla. A sua régua de comparação deveria ser bem mais estreita.
Se você quer ver como esses números se combinam na definição do valor da sessão, o caminho completo está em quanto cobrar por sessão de psicologia em 2026. E se a pergunta maior é o quanto a clínica consegue render no seu modelo atual, comece pelo pilar quanto ganha uma psicóloga em 2026.
O que o Código de Ética diz sobre o seu preço
A tabela é referencial, mas o Código de Ética Profissional do Psicólogo, instituído pela Resolução CFP nº 010/2005, tem regras sobre honorários que valem para todas. O artigo 4º determina que, ao fixar a remuneração, a psicóloga leve em conta a justa retribuição aos serviços e as condições do usuário, estipule o valor de acordo com as características da atividade, comunique esse valor antes do início do trabalho e assegure a qualidade do serviço independentemente do valor acordado. O artigo 20 veda usar o preço do serviço como forma de propaganda. O texto está no Código de Ética Profissional do Psicólogo, no site do CFP. Verifique a versão vigente do Código e de eventuais resoluções posteriores antes de tomar decisões com base nele.
Nenhuma dessas regras manda cobrar o valor da tabela. Elas pedem transparência e coerência, o que significa levar a sua tabela própria a sério: o mesmo serviço não deveria ter um valor para uma pessoa e outro bem diferente para outra, por simpatia ou medo de perder o paciente.
Revise todo janeiro
A referência nacional é revista periodicamente, e a sua tabela também deveria ser. A minha recomendação é transformar isso em rotina de gestão: todo janeiro, abra o site do CFP, confira se existe versão nova da tabela de honorários e compare com os valores que você praticou no ano anterior.
Essa conferência anual serve para duas coisas. A primeira é verificar se algum valor da sua agenda escorregou para baixo do limite inferior atualizado, porque a correção pela inflação faz isso acontecer em silêncio. A segunda é preparar o seu reajuste, que é gestão, anual, avisado com antecedência e igual para todos. O passo a passo dessa conversa com os pacientes está em como fazer o reajuste do valor da sessão.
Aquilo que você não olha não cresce. A tabela que você nunca revisa vira, com o tempo, um desconto que ninguém pediu.
Perguntas frequentes
A tabela de honorários do CFP é obrigatória?
Não. O próprio CFP descreve a tabela como documento de referência nacional, que não estabelece piso nem teto de preços. Cada profissional define o valor em comum acordo com quem contrata. Verifique a versão vigente no site do CFP.
Qual é a versão vigente da tabela de honorários de psicologia?
Em outubro de 2026, a versão disponível no site do CFP é a de valores atualizados pelo INPC até junho de 2025, com vigência a partir de 1º de julho de 2025, publicada pelo CFP e pela Fenapsi com elaboração do DIEESE. A tabela é revista periodicamente, então confira se há versão mais nova antes de usar os números.
Posso cobrar acima do limite superior da tabela?
Pode. A tabela não define teto. O que o Código de Ética pede é que o valor seja justo, coerente com a atividade, comunicado antes do início do trabalho e que a qualidade do serviço não dependa do valor acordado.
Posso cobrar abaixo do limite inferior?
A tabela também não define piso, então não há proibição. Mas cobrar abaixo do limite inferior é um alerta de que a sua hora pode estar sem cobrir custos e remuneração. Atendimento com valor social deve ser uma cota explícita, não o preço padrão da agenda.
A tabela serve para definir o valor cobrado de empresas?
Não como ponto de partida. A tabela traz itens de consultoria e assessoria, mas não conhece o escopo do seu contrato. A referência do método é a sua hora de clínica acrescida de pelo menos 30%, conta explicada em quanto custa sua hora trabalhada, e o valor final depende do que for contratado.
Com que frequência devo conferir a tabela?
Pelo menos uma vez por ano. A recomendação é fazer isso todo janeiro, junto com o planejamento do reajuste da sua própria tabela, porque a referência nacional é revista periodicamente.
O ponto
A tabela de honorários do CFP é um bom termômetro e um mau espelho. Ela mostra onde começa a faixa de referência da profissão e ajuda a identificar quando o seu valor ficou para trás. Mas ela não conhece o seu público, a sua especialidade nem a sua conta. Use a tabela como piso de conversa, não como teto. O seu preço quem define é você, com método, com cálculo e com posicionamento.







