Tabela de honorários de psicologia 2026: como ler e usar a referência do CFP

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A tabela de honorários de psicologia é a Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos, publicada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) em conjunto com a Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), com elaboração técnica do DIEESE. Ela traz, para cada tipo de serviço, um limite inferior, uma média e um limite superior em reais. É um documento de referência: não obriga ninguém a cobrar aqueles valores e não define piso nem teto.

Esta referência é revista periodicamente, então verifique a versão vigente na página oficial da tabela de honorários no site do CFP antes de usar qualquer número deste artigo numa conversa com cliente.

Eu escrevo isto para a psicóloga que atende há anos, tem agenda e nome na região, e mesmo assim sente que o seu valor ficou parado. A tabela do CFP ajuda nessa hora, desde que você saiba o que ela é e o que ela não é.

O que é a tabela de honorários da psicologia

A tabela nasceu em 2001 e teve atualizações ao longo dos anos. Entre setembro e novembro de 2014, o CFP e a Fenapsi fizeram uma consulta pública com conselhos regionais, sindicatos, entidades científicas e profissionais para revisar os itens que deveriam constar nela, como registra a notícia do CFP sobre a revisão da tabela. Desde então, as atualizações têm corrigido os valores pela inflação medida pelo INPC, do IBGE, com cálculo feito pelo DIEESE, como explica o comunicado do CFP sobre a atualização pelo INPC.

O próprio Conselho descreve o caráter do documento. Nas palavras do CFP, a tabela “não estabelece piso nem teto de preços para os honorários cobrados”, e cabe a cada profissional definir o valor em comum acordo com quem contrata o serviço, seja pessoa física ou jurídica.

Muita gente usa a tabela como se fosse o valor certo, o permitido ou o máximo. Nenhuma dessas leituras está no documento.

A versão vigente e o que ela diz

A versão disponível no site do CFP quando este artigo foi escrito, em outubro de 2026, é a de valores atualizados pelo INPC até junho de 2025, com vigência a partir de 1º de julho de 2025. O documento informa que os valores da tabela anterior foram corrigidos pela variação acumulada do INPC de março de 2016 a junho de 2025. Você baixa o arquivo completo no PDF oficial da Tabela de Referência Nacional de Honorários (CFP e Fenapsi, elaboração DIEESE). Se já houver versão mais nova quando você ler isto, vale a mais nova.

Alguns itens que interessam diretamente a quem está na clínica e quer escalar, conforme o PDF oficial:

Serviço Limite inferior (R$) Média (R$) Limite superior (R$)
Psicoterapia individual 225,58 326,61 386,72
Psicoterapia de casal 257,81 351,78 515,65
Psicoterapia familiar 257,81 411,86 515,65
Psicoterapia em grupo 186,93 299,71 386,72
Consulta psicológica 225,58 337,17 386,72
Avaliação psicológica 257,81 322,28 422,15
Supervisão de atividades psicológicas 270,73 422,98 515,65

Fonte: Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos, CFP e Fenapsi, elaboração DIEESE, vigência a partir de 1º de julho de 2025. Verifique a versão vigente no site do CFP antes de citar.

Como ler as três colunas sem se enganar

Cada linha tem três números, e cada um conta uma coisa diferente.

Limite inferior. É a ponta de baixo da faixa de referência para aquele serviço. Não é um piso legal. Mas, se o seu valor está abaixo dele, é um sinal que merece atenção, porque você está cobrando menos do que a própria referência nacional da profissão aponta como o começo da faixa.

Média. É o meio da faixa. Serve para você se localizar, não para se encaixar. Uma psicóloga com anos de experiência, público definido e posicionamento claro não tem motivo para usar a média como meta.

Limite superior. É a ponta de cima da faixa de referência. E aqui está o erro mais caro que eu vejo: tratar esse número como teto. O CFP diz com todas as letras que a tabela não estabelece teto. Cobrar acima do limite superior não é infração, é decisão de posicionamento.

Um detalhe que pouca gente percebe: as atualizações recentes corrigem os valores anteriores pela inflação. Não são uma pesquisa nova sobre quanto as psicólogas cobram hoje, nem um retrato do mercado do seu nicho.

Por que a psicóloga experiente não deveria precificar só pela tabela

A tabela é igual para todo mundo. Ela não sabe quem é o seu público, qual problema você resolve, qual é o seu custo fixo ou em que cidade você está. A linha “psicoterapia individual” vale tanto para quem se formou no ano passado quanto para quem tem uma especialidade construída ao longo de anos.

Quando a psicóloga experiente precifica só pela tabela, ela se coloca no lugar do generalista, e generalista sempre compete por preço. Quem escolhe um público específico ganha o direito de escolher a remuneração.

Tem outro sinal que a tabela não mostra: se a sua agenda está lotada e você não sai do lugar, a sua hora provavelmente está barata. Você não precisa de um mundo de gente na agenda. Precisa de algumas pessoas pagando bem pelo que você entrega.

E existe a pergunta que a tabela não responde de jeito nenhum: quanto custa a sua hora de verdade. Esse número sai da sua conta, não de uma faixa nacional. Eu detalho o cálculo em quanto custa de verdade a sua hora trabalhada como psicóloga, e é dele que nasce qualquer valor que faça sentido para o seu consultório.

Piso de conversa, não teto: como usar a tabela a seu favor

Dito tudo isso, a tabela é útil. Ela só precisa estar no lugar certo da sua decisão. Eu proponho que você a use como piso de conversa: o ponto a partir do qual a discussão sobre preço começa, nunca o ponto onde ela termina.

Situação O que a tabela indica Como usar
Seu valor está abaixo do limite inferior Você cobra menos que o começo da faixa nacional de referência Revisar a hora com urgência e planejar o reajuste da agenda inteira
Seu valor está entre o limite inferior e a média Você está na metade de baixo da referência Conferir se o seu público e a sua especialidade justificam estar ali; geralmente não justificam
Seu valor está entre a média e o limite superior Você está na metade de cima da referência Confirmar se o valor cobre a sua hora real e os seus custos, não só se parece razoável
Seu valor está acima do limite superior A tabela não tem teto, então não há nada de irregular Sustentar com posicionamento claro e comunicação de valor antes do preço
Contrato com empresa A tabela traz itens de consultoria e assessoria, mas não conhece o seu escopo Partir da sua hora de clínica, nunca do limite inferior da tabela

Na prática, isso significa três movimentos.

Use o limite inferior como alarme. Se algum valor da sua agenda está abaixo dele, isso não é generosidade, é sinal de tabela defasada. Atendimento com valor social existe e tem lugar, mas como cota explícita e definida por você, não como preço que foi ficando baixo por falta de revisão.

Use a média como espelho, não como alvo. Ela mostra onde estaria um profissional qualquer. A pergunta seguinte é sempre: você é um profissional qualquer para o público que atende? Se você tem especialidade, se resolve um problema que pouca gente resolve bem, a média não descreve você.

Use a existência da tabela para sustentar a conversa. Quando um paciente estranha o seu valor, você pode explicar que existe uma referência nacional da profissão e que ela não tem teto. Isso tira a conversa do campo do “você está cobrando caro” e coloca no campo do que o seu trabalho entrega. Quase sempre, a objeção de preço é sinal de que o valor não foi transmitido antes do preço.

Para empresas, a lógica é outra e mais simples: a sua hora para pessoa jurídica parte da sua hora de clínica acrescida de pelo menos 30%, conta que eu explico em quanto custa sua hora trabalhada.

A tabela e os seus três valores

No método, toda psicóloga precisa ter três valores definidos para a psicoterapia: o valor da hora ideal, avulso, que paga você, paga os custos e ainda sobra para investir no negócio; o valor do pagamento mensal antecipado, um pouco menor, como vantagem pelo compromisso, sem discrepância absurda em relação ao avulso; e o valor mínimo viável, que remunera e paga os custos sem lucro, e que é uma referência interna, nunca aberta ao cliente.

A tabela do CFP conversa com esses três valores de um jeito específico. O seu valor mínimo viável nunca deveria ficar abaixo do limite inferior da referência nacional. Se ficar, o problema não é a tabela, é a estrutura de custos ou a carga horária que você está aceitando. Já a sua hora ideal não tem relação obrigatória com a tabela: ela vem do cálculo da sua hora, da análise de quem atende o mesmo público com a mesma experiência e do valor mais alto que alguém da sua agenda já paga hoje.

E aqui vale uma regra que eu repito muito: na hora de se comparar, olhe para quem cobra mais na sua região e no seu nicho, não para quem cobra menos. A tabela nacional é uma referência ampla. A sua régua de comparação deveria ser bem mais estreita.

Se você quer ver como esses números se combinam na definição do valor da sessão, o caminho completo está em quanto cobrar por sessão de psicologia em 2026. E se a pergunta maior é o quanto a clínica consegue render no seu modelo atual, comece pelo pilar quanto ganha uma psicóloga em 2026.

O que o Código de Ética diz sobre o seu preço

A tabela é referencial, mas o Código de Ética Profissional do Psicólogo, instituído pela Resolução CFP nº 010/2005, tem regras sobre honorários que valem para todas. O artigo 4º determina que, ao fixar a remuneração, a psicóloga leve em conta a justa retribuição aos serviços e as condições do usuário, estipule o valor de acordo com as características da atividade, comunique esse valor antes do início do trabalho e assegure a qualidade do serviço independentemente do valor acordado. O artigo 20 veda usar o preço do serviço como forma de propaganda. O texto está no Código de Ética Profissional do Psicólogo, no site do CFP. Verifique a versão vigente do Código e de eventuais resoluções posteriores antes de tomar decisões com base nele.

Nenhuma dessas regras manda cobrar o valor da tabela. Elas pedem transparência e coerência, o que significa levar a sua tabela própria a sério: o mesmo serviço não deveria ter um valor para uma pessoa e outro bem diferente para outra, por simpatia ou medo de perder o paciente.

Revise todo janeiro

A referência nacional é revista periodicamente, e a sua tabela também deveria ser. A minha recomendação é transformar isso em rotina de gestão: todo janeiro, abra o site do CFP, confira se existe versão nova da tabela de honorários e compare com os valores que você praticou no ano anterior.

Essa conferência anual serve para duas coisas. A primeira é verificar se algum valor da sua agenda escorregou para baixo do limite inferior atualizado, porque a correção pela inflação faz isso acontecer em silêncio. A segunda é preparar o seu reajuste, que é gestão, anual, avisado com antecedência e igual para todos. O passo a passo dessa conversa com os pacientes está em como fazer o reajuste do valor da sessão.

Aquilo que você não olha não cresce. A tabela que você nunca revisa vira, com o tempo, um desconto que ninguém pediu.

Perguntas frequentes

A tabela de honorários do CFP é obrigatória?

Não. O próprio CFP descreve a tabela como documento de referência nacional, que não estabelece piso nem teto de preços. Cada profissional define o valor em comum acordo com quem contrata. Verifique a versão vigente no site do CFP.

Qual é a versão vigente da tabela de honorários de psicologia?

Em outubro de 2026, a versão disponível no site do CFP é a de valores atualizados pelo INPC até junho de 2025, com vigência a partir de 1º de julho de 2025, publicada pelo CFP e pela Fenapsi com elaboração do DIEESE. A tabela é revista periodicamente, então confira se há versão mais nova antes de usar os números.

Posso cobrar acima do limite superior da tabela?

Pode. A tabela não define teto. O que o Código de Ética pede é que o valor seja justo, coerente com a atividade, comunicado antes do início do trabalho e que a qualidade do serviço não dependa do valor acordado.

Posso cobrar abaixo do limite inferior?

A tabela também não define piso, então não há proibição. Mas cobrar abaixo do limite inferior é um alerta de que a sua hora pode estar sem cobrir custos e remuneração. Atendimento com valor social deve ser uma cota explícita, não o preço padrão da agenda.

A tabela serve para definir o valor cobrado de empresas?

Não como ponto de partida. A tabela traz itens de consultoria e assessoria, mas não conhece o escopo do seu contrato. A referência do método é a sua hora de clínica acrescida de pelo menos 30%, conta explicada em quanto custa sua hora trabalhada, e o valor final depende do que for contratado.

Com que frequência devo conferir a tabela?

Pelo menos uma vez por ano. A recomendação é fazer isso todo janeiro, junto com o planejamento do reajuste da sua própria tabela, porque a referência nacional é revista periodicamente.

O ponto

A tabela de honorários do CFP é um bom termômetro e um mau espelho. Ela mostra onde começa a faixa de referência da profissão e ajuda a identificar quando o seu valor ficou para trás. Mas ela não conhece o seu público, a sua especialidade nem a sua conta. Use a tabela como piso de conversa, não como teto. O seu preço quem define é você, com método, com cálculo e com posicionamento.

Sobre a autora

Bianca Amorim

Bianca Amorim é psicóloga e fundadora do movimento Psi de Negócio. Ajuda psicólogas a transformarem suas clínicas em modelos de negócios sustentáveis, com mais lucro, liberdade e impacto, sem ferir o código de ética nem precisar virar influencer.

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